O confronto entre a moral de Cristo e a moral humana

Por Itamargarethe Corrêa Lima Jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.
Existe um dos maiores equívocos da humanidade moderna quando o assunto é felicidade. O homem contemporâneo aprendeu a associar paz à ausência de problemas. Para muitas pessoas, viver sossegado significa não enfrentar dificuldades financeiras, emocionais, familiares ou existenciais.
Entretanto, quando se observa o ensinamento de Cristo, percebe-se que a lógica do Evangelho segue exatamente na direção oposta daquilo que o mundo costuma ensinar. A paz do Messias jamais esteve fundamentada na ausência de sofrimento.

Jesus não possuía estabilidade material, conforto humano ou garantias terrenas. Foi perseguido, humilhado, traído, rejeitado e crucificado.
Ainda assim, possuía equilíbrio, já que este não estava alicerçado nas circunstâncias externas, mas na fidelidade absoluta à vontade de Deus. “Seja feita a tua vontade.”
Talvez essa seja uma das frases mais difíceis de serem verdadeiramente vividas pela sociedade moderna. A lógica terrena ensina o controle. O Salvador ensina a entrega.
O pensamento contemporâneo busca segurança absoluta, domínio sobre o amanhã e satisfação imediata das próprias vontades. O Redentor, ao contrário, convida à renúncia, à confiança e à compreensão de que nem tudo gira em torno dos desejos humanos.
E talvez seja justamente aí que nasça grande parte das angústias da atualidade. O homem se inquieta porque deseja controlar aquilo que não foi feito para ser controlado. Não aceita o tempo das coisas. Todavia, a vida jamais funcionará assim.
Quando observamos alguém acamado ou enfrentando intenso sofrimento e, movido pela compaixão, desejamos o fim daquela dor. Essa reação nasce da impotência e das limitações próprias da condição humana.
No entanto, a perspectiva cristã convida à reflexão de que nem todo sofrimento é destituído de sentido e de que nem sempre o homem é capaz de compreender integralmente os propósitos de Deus, pois aquilo que parece ser o fim nem sempre realmente o é.
A visão humana busca conforto. Cristo busca transformação. Costuma-se acreditar que, quanto menos problemas alguém possui, maior será sua tranquilidade.
Porém, a paz ensinada por nosso Senhor não surge da ausência da cruz. Nasce da capacidade espiritual de carregá-la sem perder o sentido da existência. A lógica do Evangelho desmonta completamente os parâmetros da sociedade moderna.
Sempre existirão os problemas, os necessitados de ajuda, desafios materiais, dores emocionais, enfermidades, responsabilidades e inquietações próprias da existência humana.
Talvez seja exatamente por isso que a mensagem do Filho de Deus continue tão atual e necessária. Porque ela não promete ausência de tempestades, mas, sim, . força para atravessá-las.
A cultura atual frequentemente ensina que sofrimento é sinônimo de fracasso. O Criador, ao contrário, revela que a dor pode produzir amadurecimento espiritual, aprendizado, fortalecimento da fé e aproximação de Deus.
O problema é que muitos desejam os milagres, mas rejeitam os ensinamentos. Anseiam pela paz, ignoram o valor da renúncia e sonham com a recompensa, sem perceber que toda transformação verdadeira exige mudança interior e, muitas vezes, sacrifício.
E talvez seja exatamente por isso que o Evangelho continue provocando tantos confrontos. De um lado, uma visão de mundo centrada nos próprios desejos. Do outro, um chamado à renúncia, à entrega e à confiança em algo maior do que o próprio homem.
Uma busca respostas imediatas. O outro oferece transformação. Uma se limita ao tempo. O outro conduz à eternidade.
Essa semana ficamos por aqui. Até breve!



